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QUEM ATIRA A PRIMEIRA PEDRA | GABRIEL GARCIA


QUEM ATIRA A PRIMEIRA PEDRA | GABRIEL GARCIA

Intemporalidade e Acção em Gabriel Garcia


O título da exposição “Quem atira a primeira pedra” remete-nos de forma imediata para a célebre passagem do Novo Testamento, “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra”, (João 8:1-11). A dimensão moral, ética e religiosa da perícope da adúltera marca-nos de forma indelével na memória passada, presente e futura enquanto pessoas e comunidades alicerçadas na cultura judaico-cristã.

Gabriel Garcia remete-nos para esta sabedoria intemporal. No entanto, vai mais longe e inaugura, com a sua pintura pós-expressionista simbólica, novas interrogações reflectivas expressas nas últimas palavras da memória descritiva “… que as pedras sejam agora lançadas”.

A transformação da acção de “atirar” para “lançar” já é uma proposta ético-moral. No entanto, o que não nos é revelado de imediato, e remetido para as obras patentes, é que pedras são estas?

Pedra como instrumento de agressão ou como artefacto e alfaia que destrói para construir. Ou pedra fundadora que encerra em si a identidade do que será construído e que instalamos no ente inanimado a alma do que somos.

Pedra de ferramenta de transformação e ou de objecto transformado na Arte, actividade identificadora inequívoca de nós enquanto homo sapiens sapiens. Da pedra trabalhada e dos pigmentos extraídos que dão expressão a emoções e pensamentos singulares.

Da pedra do almofariz que nos permite transmutar elementos e compostos em novas criações ou refazendo-as. Da pedra que nos afunda ou que nos faz ver mais alto e mais longe. Que nos fixa à Geia ou que nos lança para Urano.

Aristóteles confere à pedra inanimada a potência mas não a acção. Gabriel Garcia, nesta mostra da sua vasta obra, convoca-nos para a intemporalidade das acções humanas que nos levam a dar acção à pedra.


Luiz Bettencourt Moniz

Dezembro, 2019

ART MAGAZINE

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DE GABRIEL GARCIA


Quem atira a primeira pedra?


Gabriel Garcia: A grande epifania é quando temos um assunto que queremos tratar e por mais voltas que damos, como de uma rotunda se tratasse, circulamos sem saber qual a saída, até que do nada a encontramos.

Nas sociedades ditas democráticas ou ocidentais, o mais natural é seguirmos uma linha entre nascer, ser formado ou formatado, o sucesso e depois o fluxo natural e biológico da vida. Mas o processo de crescimento varia de sociedade para sociedade, com os seus valores, costumes e tradições.

O mundo dito civilizado perfila-se em estado permanente de paz com os seus pares, mas de vez em quando é abalado nas suas colunas por guerras de David e Golias.

Será que o mundo neste momento procura uma nova ordem perante os novos poderes? Que sociedade temos? Será que estamos a viver uma nova versão da obra de George Orwell “1984”, onde a semântica é distorcida para criar um estado de torpor e confusão e onde a guerra é paz, liberdade é escravidão e ignorância é força? Que sociedade procuramos, que vivências, que cultura, que espaço, que cidade ou aldeia?

Perguntas que devemos fazer todos os dias, consciente ou inconscientemente.

A simples forma de lidarmos com o outro… tentarmos ser sempre dominadores está patente nos nossos relacionamentos… “Quem atira a primeira pedra”!

Numa reunião empresarial, numa conversa, numa discussão, quem não está disposto a “arremessar uma pedra”… Basta abrirmos um canal de notícias para vermos ou ouvirmos as linhas vermelhas que podemos estar prestes a transpor, uma permanente tensão e equilíbrio de poderes dominadores.

Mas esses equilíbrios ou desequilíbrios estão nas nossas casas, nas ruas, por todo o lado, e as pedras rolam sem parar...

Tudo procura a sua saída “da rotunda”, procurando chegar ao seu destino entre o bem e o mal ...

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GABRIEL GARCIA SOLO EXHIBITION 2020

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