top of page
  • Espaço Exibicionista

GABRIEL GARCIA

Atualizado: 23 de jan.


Gabriel Garcia, Ilha do Pico (Açores) em 1977. Licenciatura Artes Plásticas – Pintura, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Atelier de expressão plástica de desenho e pintura, Academia das Artes de Ponta Delgada. A sua obra está representada em coleções públicas e privadas: Coleção PLMJ, PWC Portugal, EFCIS. Na arte de Gabriel Garcia vemos outros cenários, outras histórias onde se traçam as fronteiras entre a realidade e a ficção. A inquietação para uma narrativa continua, que por vezes se esvai, deixando pistas abertas para a perceção de uma passagem subsequente.


Gabriel Garcia, Ilha do Pico (Azores) in 1977. Degree in Fine Arts – Painting, at the Faculty of Fine Arts of Lisbon. Atelier of plastic expression of drawing and painting, Academia das Artes de Ponta Delgada. His work is represented in public and private collections: PLMJ Collection, PWC Portugal, EFCIS. In Gabriel Garcia's art we see other scenarios, other stories where the boundaries between reality and fiction are drawn up. The restlessness for a continue narrative, that sometimes goes away, leaving open clues to the perception of an subsequent passage.

Gabriel Garcia Artista
Gabriel Garcia
 

UM PAR DE PAUS, UMA CABANA 2022


INSIDE EE : GABRIEL GARCIA, 2022


Artist Statement Não há nada mais triunfante, do que juntar, pouco mais de um par de paus para fazer uma cabana. É como, se naquele momento, uma conquista de espaço fosse estabelecida, e com esse ato simbólico se vinque a caminhada, para cada rota pessoal. Todos temos a capacidade de percecionar, de maneira diferente, as pedras da calçada. O trilho, para uns pode ser de forma simples e do tamanho do mundo, para outros mais difícil, do tamanho de um pequeno quarto, com as inevitáveis quatro paredes.


Henry David Thoreau, escritor Americano, em 1845, construiu uma pequena cabana nas margens do lago Walden, onde passou dois anos, com o objetivo de simplificar sua vida e se dedicar à contemplação da natureza. Escreveu um clássico da literatura norte-americana “Walden, ou Vida Nas Florestas”, um roteiro da sua estadia durante aqueles dois anos passados na solidão. As descrições da natureza são exatas, porém poéticas, e as meditações filosóficas vão ao encontro misticismo. Por vezes, era tão bom exercer as nossas capacidades de bricolage, e com um par de paus construir uma semelhante cabana. Passar então para o ato de refletir sobre o estado da natureza a que chegámos, seja o planeta físico ao qual pertencemos, bem como, a realidade na qual a sociedade tem “des-voluído”.


Por mais evoluído que seja o nosso percurso, com o natural sentido que se possa caracterizar, os retrocessos civilizacionais são, inevitavelmente, um facto presente, que descredibiliza os maiores sucessos do Homem e, pau que nasce torto, tendencialmente não se endireita. Gosto do paralelo da nossa sociedade como uma colmeia, cheia de abelhas, fervorosas na sua atividade. A competição é severa, e a geografia da própria colmeia é já um labirinto demasiado povoado, e na incapacidade da solidão, as encruzilhadas são inevitáveis. Começam então as divergências, de carácter e de comportamento. Tarde demais! A caixa de Pandora foi aberta, agora, ervas daninhas crescem desgovernadas à sua volta. A rainha vive agora numa cortina de segurança com a sua guarda pretoriana, que avança sem razão contra tudo e contra todos.


De tantas citações de Henry David Thoreau, deixo duas: As coisas não mudam, nós é que mudamos... Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor.


Podemos ver claramente isto? Será importante passar a ponte, para o lago quase seco, com um céu carregado, presságio de dilúvio, e com a devida distância, protegido por um teto de colmo, assegurar a nossa capacidade de refletir sobre o que nos rodeia e reequilibrar a valiosa balança da razão?


Basta seguir a Luz do farol, mesmo sobre a cerrada bruma da manhã.

There is nothing more triumphant than putting together little more than a pair of sticks to make a hut. It’s like, at that moment, the achievement of space was established, and with this symbolic act the walk is creased, for each personal route. We all have the ability to perceive paving stones differently. The trail, for some can be simple and from the size of the world, while for others more difficult, from the size of a small room with the inevitable four walls.


Henry David Thoreau, American writer, in 1845, built a small cabin on the shores of Lake Walden, where he spent two years, with the aim of simplifying his life and dedicating himself to the contemplation of nature. He wrote a classic of American literature “Walden, or Life in the Forests”, a script of his stay during those two years spent in solitude. The descriptions of nature are exact but poetic, and the philosophical meditations meet mysticism.

Sometimes it was so nice to exercise our DIY skills, and with a couple of sticks build a similar hut. Then move on to the act of reflecting on the state of nature that we have reached, whether the physical planet to which we belong, as well as the reality in which society has “de-voluted”.


No matter how evolved our path may be, with the natural meaning that can be characterized, civilizational setbacks are inevitably a present fact, which discredits Man's greatest successes, and a stick that is born crooked tends not to straighten. I like the parallel of our society as a hive, full of bees, fervent in their activity. Competition is severe, and the geography of the hive itself is already an overpopulated labyrinth, and in the inability of solitude, crossroads are inevitable. Then starts the differences of character and behavior. Too late! Pandora's box has been opened, now weeds grow wild around it. The queen now lives in a curtain of security with her praetorian guard, who advance without reason against everything and everyone.


Of the many quotes by Henry David Thoreau, I leave two: Things don't change, we change... If a man marches with a different step from his companions, it’s because he hears another drum.