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PAULA ROSA

A arte de Paula Rosa combina o meio tangível da tecnologia com o meio mágico e inatingível dos sonhos e da imaginação. Paula Rosa funde com sucesso construções naturais e mecânicas na exploração de temas filosóficos novos ou recorrentes. Suas imagens são perturbadoras e atingem o âmago da emoção.


Paula Rosa art combines the tangible medium of technology with the unattainable and magical medium of dreams and imagination. Paula Rosa successfully fuses natural and mechanical constructions in the exploration of new or recurring philosophical themes. Her images are disturbing and reach the very core of emotion.



INSIDE EE : PAULA ROSA, 2022

 

PERPETUUM MOBILE - 2022



Como se mede o tempo? How to measure time?

A questão do tempo atormentou o ser humano desde os primórdios. Não é por acaso que os gregos associaram o tempo a um deus mitológico terrível – Cronos, deus do tempo, rei dos titãs, que rege os destinos e tudo devora. Filosofias e religiões parecem preferir pensar na eternidade, definindo o tempo pela negativa: o tempo é o que não é eternidade. Tudo o que existe parece estar subordinado ao tempo. Tudo existe para desaparecer. Uma existência inscrita na temporalidade é, portanto, uma existência como processo de existir.


Sabemos que a vida teve um começo e terá um fim. Talvez pela inquietude da mente diante da incompreensão da vida, do vazio, contamos o tempo em segundos, minutos, horas, dias meses e anos, conforme a escala temporal antropométrica. Um instante é, por definição, solitário. Não há dois instantes que coexistam. Tendemos a desconsiderar os interstícios entre instantes, tal como quando observamos um relógio desconsideramos o facto de que entre um e outro segundo, a indicação é de um tempo que não passa enquanto aguardamos tolerantemente a mudança do dígito ou o movimento do ponteiro.

Estabelecemos para o tempo a imagem de uma recta orientada na qual perfilam os instantes passados e futuros. O presente é um ponto que se desloca sobre a recta, coincidindo com pontos-instantes, imóveis, entre os quais medimos intervalos de tempo (Δt). O tempo como fenómeno linear e quantificável é um artifício muito útil à organização da vida.


É como se a Ciência tomasse o tempo pelo espaço. O tempo científico é quantitativo, mas a acção no tempo é qualitativa. Não raramente, experenciamos o tempo em função do grau de prazer ou de desconforto que nos proporciona uma determinada actividade. Assim, existem horas que se esfumam em segundos e segundos que se arrastam por horas. O tempo da cronologia e do relógio é, com efeito, o tempo elaborado e seguido pela vida contemporânea, nas suas dimensões social e técnica. Torna-se difícil dizer onde termina o humano e começa o inumano, seja como ramificações tecnológicas, seja como atuação num mundo que é sobretudo imagem e publicização. Redes sociais, mensagens electrónicas, tarefas quotidianas e rotineiras colonizam o tempo de vida, cuja finalidade parece escapar-nos.


O tempo qualitativo parece não obedecer à ordem do cronómetro. Pelo contrário, parece ser a intuição que nos proporciona um conhecimento mais directo de nós, da nossa duração, da melodia contínua da nossa vida interior, e que nos permite coincidir por simpatia com outras contracções da duração, de outras vidas efémeras, como a de um insecto ou a de uma planta.


Será reconfortante a descoberta de que o tempo que nos devora, qual Cronos esfomeado, e ao qual estamos submetidos inexoravelmente no século 21, é uma imagem ilusória?

E se o tempo não passa como pensamos?

Como reconstituir com instantes o fluxo ininterrupto do tempo?

The question of time has tormented the human being from the beginning. It is no coincidence that the Greeks associated time with a terrible mythological god – Cronus, god of time, the king of the Titans, who rules destinies and devours everything. Philosophies and religions seem to prefer to think of eternity, defining time in the negative: time is what eternity is not. Everything that exists seems to be subordinate to time. Everything exists to disappear. An existence inscribed in temporality is, therefore, an existence as a process of existing.


We know that life had a beginning and will have an end. Perhaps because of the restlessness of the mind in face of the incomprehension of life, of the vacuum, we count time in seconds, minutes, hours, days, months and years, according to the anthropometric temporal scale. An instant is, by definition, lonely. No two instants coexist. We tend to disregard the gaps between instants, just as when we observe a clock we disregard the fact that between one second and another, the indication is a time that does not pass while we wait tolerantly for the change of the digit or the movement of the pointer. We establish for time the image of an oriented straight line in which past and future moments are outlined. The present is a point that moves on the straight line, coinciding with immobile, instant-points, between which we measure time intervals (Δt). Time as a linear and quantifiable phenomenon is a very useful device for organizing life.


It's as if Science took time for space. Scientific time is quantitative, but action in time is qualitative. Not infrequently, we experience time depending on the degree of pleasure or discomfort that a given activity gives us. Thus, there are hours that fade into seconds and seconds that drag on for hours. Chronology and clock time is, in fact, the time elaborated and followed by contemporary life, in its social and technical dimensions. It is difficult to say where the human ends and the inhuman begins, whether as technological ramifications or acting in a world that is above all image and publicity. Social networks, electronic messages, daily and routine tasks colonize life span, whose purpose seems to elude us.


Qualitative time does not seem to follow the order of the chronometer. On the contrary, it seems to be the intuition that gives us a more direct knowledge of ourselves, of our duration, of the continuous melody of our inner life, and that allows us to coincide sympathetically with other contractions of duration, of other ephemeral lives, such as that of an insect or that of a plant.


Is it comforting to discover that the time that devours us, like a starving Cronus, and to which we are inexorably subjected in the 21st century, is an illusory image?

What if time doesn't pass as we think?

How to reconstitute with instants the uninterrupted flow of time?




 

BUTTERFLY DEFECT - 2018



Cenas surreais, como sonhos, a preto e branco. Como surgem estas imagens?

Surreal scenes, like dreams, in black and white. How do these images appear?


É uma dinâmica fascinante que acontece, creio, num plano quase “insondável” e depois explode em formas, analogias, contradições, metáforas, alegorias ambiguidades, exactidões. Tudo, o que de aleatório ou estratégico advier num dado momento. Quase sempre, uma revelação para mim própria. Motivo pelo qual me deixo seduzir pela imagem “terminada”, mergulhando na sua interpretação – na interpretação de mim.

It's a fascinating dynamic that happens, I believe, in an almost "unfathomable" plane and then explodes in forms, analogies, contradictions, metaphors, allegories, ambiguities, exactitude. Everything, whatever is random or strategic, will happen at a given moment. Almost always, a revelation to myself. Reason why I let myself be seduced by the “finished” image, immersing itself in its interpretation - in the interpretation of me.



Misturas muitas técnicas. Como é este processo? Existe alguma regra? Algum limite?

You mixed many techniques. How is this process? Is there a rule? Any limits?


Há toda uma dinâmica no acto de criar que me conduz a explorar todas as possibilidades e a transcender tudo. Tenho feito combinações improváveis e subvertido a função óbvia das ferramentas. Tudo é válido e útil, se servir uma intenção.

Componho muito em Photoshop, com recurso a imagens fotográficas (digitais, analógicas, pin-hole, fotogramas), pintura (em suporte digital ou tradicional), elementos que resultam da digitalização directa de texturas variadas e de objectos, gráficos vectoriais, imagens fractais, 3D, etc... A existir uma regra seria a de não me impor quaisquer limites. A existir um limite, seria, inevitavelmente, a exceção à regra.


There is a whole dynamic in the act of creating that leads me to explore all possibilities and to transcend everything. I have made improbable combinations and subverted the obvious function of the tools. Everything is valid and useful, if it serves an intention. I compose a lot in Photoshop, using photographic images (digital, analog, pin-hole, frames), painting (in digital or traditional support), elements that result from the direct digitization of varied textures and objects, vector graphics, fractal images, 3D, etc... If there is a rule, it would be not to impose any limits on me. If there is a limit, it would inevitably be the exception to the rule.



Como entendes a Arte?

How do you understand Art?


Uma inquietação, simultaneamente agradável e incómoda, como cócegas na alma. Se as cócegas sobre a pele são uma espécie de autodefesa do corpo, as cócegas na mente serão como que uma autodefesa da alma (seja lá o que isso for). Creio que a arte tem a função catártica de purgar uma multiplicidade de emoções e transformá-las em algo elevado, que poderá ser transmitido numa linguagem universal.


A restlessness, both pleasant and uncomfortable, like tickling the soul. If the tickling of the skin is a kind of self-defense of the body, the tickling of the mind will be like a self-defense of the soul (whatever that is). I believe that art has the cathartic function of purging a multiplicity of emotions and transforming them into something high, which can be transmitted in a universal language.



PAULA ROSA DIGITAL ART
PAULA ROSA (PORTUGAL)

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