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A GIRAFA E O ELEFANTE | FRANCISCO EDUARDO


A GIRAFA E O ELEFANTE | FRANCISCO EDUARDO

Filho, não há nada que eu queira acrescentar por escrito, porque desta vez,

quero contar-te tudo em imagens. Espero que gostes da minha história desenhada.

- Francisco Eduardo


Son, there is nothing I want to add in writing, because this time, I want to tell you everything in images. I hope you like my drawn story. - Francisco Eduardo


Francisco Eduardo


Eu contratei o Dinis Santos como meu assistente e fomos para Pedrógão Grande multiplicar o tempo (casa da minha avó Amália).Levantávamo-nos cada vez mais cedo. Começámos pelas generosas 8h30/9h00 mas acabámos a acordar sempre por volta das 7h00 o mais tardar. “O que está a dar é pequenos-almoços, ó Chico”, diz o Dinis que já não convida meninas para jantar. Tomávamos um bom pequeno almoço em casa e saíamos para o nosso passeio matinal, que ou tendia para o lado da Sertã ou para o lado de Figueiró dos Vinhos ou Castanheira de Pêra. Voltávamos por volta das 11H e fazíamos uma hora de desenho. Às 12H em ponto, mas em ponto mesmo, tocava a campainha de casa. Todos os dias. Era a São, a minha madrinha que vive na casa da frente.

A São é uma senhora muito bem disposta, que apesar de ter alguma dificuldade de mobilidade, não prescinde da pontualidade e era a nossa companhia fiel de almoço. “Em quantas girafas vão?” perguntava para saber se o trabalho ia avançado. Às vezes ficava com a sensação que toda a vila sabia que nós andávamos a fazer girafas umas atrás das outras. Adiante… à tarde desenhávamos umas 5 horas seguidas e às vezes íamos lanchar ao café central, pão com queijo e meia de leite, que serviam apenas para permitir o escândalo que vinha a seguir: o eclair em forma de U que repartíamos irmamente porque só havia um! E não é que o tempo se multiplicava mesmo. Estivemos lá muito mais tempo do que estivemos de facto. Tanto, que ao sexto dia já o Dinis me dizia o seguinte com toda a naturalidade: “Chico, vou ao António Júlio”. O António Júlio é o dono da mercearia, que eu conheço há anos, e que tinha ordens da minha mãe para não receber um tostão da nossa parte porque era para ficar tudo na conta dela. Impecável, mas deu-nos a chatice de termos que ir adquirir uma garrafa de uísque à vila mais próxima. Uísque, era dito em português cotês (vem de cota) porque fazíamos questão. Era parte do nosso ritual do serão. Sentados nas duas cadeiras de recosto da sala ouvíamos Fausto, Trovante, Zeca, Vitorino e algumas canções soviéticas. E deitávamo-nos por fim por voltas das 22H00, todos os dias.


I hired Dinis Santos as my assistant and we went for Pedrógão Grande to multiply time (my grandmother Amália's house). We got up each time earlier. We started at the generous 8:30 am / 9:00 am but ended up waking up around 7:00 am at the latest. "What is going on is breakfast, O Chico," says Dinis, who no longer invites girls to dinner. We had a nice breakfast at home and went out for our morning walk, that either tended to the side of the Sertã or to the side of Figueiró dos Vinhos or Castanheira de Pêra. We would come back around 11 am and do an hour of drawing. At 12 o'clock on the dot, but on the dot, the home bell rang. Every day. It was São, my godmother who lives in the front house. São is a very willing lady, who despite having some mobility difficulties, she did not give up punctuality and was our faithful lunch company. "How many giraffes are they on?" she asked to know if the work was going well. Sometimes I got the feeling that the whole village knew that we were making giraffes, one after the other. Ahead… in the afternoon we drew about 5 hours in a row and sometimes we went to have a snack at the central cafe, bread and cheese and half of milk, which only served to allow the scandal that followed: the U-shaped eclair that we shared irmatically because there was only one! And it is not that time multiplied at all. We have been there much longer than we have actually been. So much so that on the sixth day Dinis already said the following to me quite naturally: "Chico, I'm going to António Júlio". António Júlio is the owner of the grocery store, which I have known for years, and who had my mother's orders not to get a penny from us because it was supposed to be all on her account. Impeccable, but it bothered us that we had to buy a bottle of whiskey at the nearest town. Whiskey, it was said in Portuguese Portuguese (it comes from quota) because we insisted. It was part of our ritual of the evening. Sitting on the two chairs in the living room, we listened to Fausto, Trovante, Zeca, Vitorino and some Soviet songs. And we finally went to bed at around 10 pm every day.



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