"LOVE BOX" DE RICARDO PASSOS GUARDADO NO CORAÇÃO

January 2, 2019

 

A exposição "Love Box - Guardado no Coração", que termina no dia 7 de Janeiro de 2019, é a terceira e última parte do projecto Love Box de Ricardo Passos encerrando uma trilogia expositiva que procura explorar as diferentes interpretações e atribuições do coração, esse tão fascinante e complexo órgão vital que influencia a nossa forma de estar e de sentir.

 

Os 3 livros referentes a este projecto iniciado em 2015, contam com a participação de 118 personalidades da nossa sociedade, das mais diversas áreas, no sentido de ter a arte como um veículo de aproximação e consciencialização, para determinadas realidades do quotidiano. Em cada um dos livros estão reunidos diversos testemunhos que mostram diferentes perspectivas e interpretações que valorizam os temas abordados em cada uma das fases de "Love Box".  

 

 

 

Na primeira parte do projecto “Caixas com Vida” foi feita uma abordagem às emoções e aos estados de alma, posteriormente em 2016 “ A Sagração do Profano” expunha a problemática das relações amorosas, em “Guardado no Coração” é feita referência às memórias que se guardam no coração, pois sem elas nada fará sentido.

 

Nesta última exposição, Ricardo Passos apresenta um conjunto inédito de trabalhos onde a pintura se funde com colagens de cartas, fotografias e objectos que nos trazem à memória um passado não muito distante. A mostra expositiva tem a particularidade de incluir uma série de 6 trabalhos que retratam, de forma peculiar, algumas memórias comuns à nossa sociedade estando o observador indirectamente ligado a estas.

 

 

 

 

ART MAGAZINE

SOBRE RICARDO PASSOS

 

 

O que te levou a abordar o mundo analógico das memórias?

Estando esta série de trabalhos integrada no Projecto Love Box, que iniciei há já 4 anos, e ao qual dediquei tanto de mim enquanto artista plástico, penso que fazia todo o sentido completar a trilogia, sob o signo das memórias guardadas no coração, quer sejam pessoais ou colectivas, uma vez que são elas que retêm os acontecimentos de maior relevância ao longo das nossas vidas, influenciando a nossa existência futura. Mergulhar na temática das memórias não é, de forma alguma, uma atitude saudosista ou nostálgica, nem muito menos estar aprisionado ao passado. É sim, um emergir consciente para as questões com que me deparo no quotidiano.

 

 

As memórias registadas nos trabalhos agora apresentados, são tuas ou de outras pessoas?

Podem por vezes ser o reflexo pálido de algo vivenciado por mim, ou por alguém que me seja próximo. Mas podem também inserir-se no campo das memórias colectivas. Somos seres únicos mas experimentamos situações análogas ao longo das nossas vidas, podendo algumas estar espelhadas num ou noutro trabalho, ainda que de forma difusa, como muitas vezes acontece com as memórias que temos menos presentes. Existem registos que, em cada um dos trabalhos, podem ser invisíveis para o público, embora estejam lá. De igual modo, acreditar na memória é ter a convicção de que os factos ocorreram, ainda que estejam já esbatidos.

A memória é algo que decanta o passado e, com o decorrer do tempo, o que é verdadeiramente importante é plasmado, tal como no âmbar - resina vegetal que retém há milhares de anos, insectos e plantas no seu estado natural, algumas espécies até já extintas.

 

 

Encontras nas memórias de infância, algum momento que te levasse a pensar que virias a ser artista plástico?

Não encontro nenhum desses momentos, não por esquecimento, mas por ter a perfeita consciência de que na infância não me passava pela cabeça ser artista plástico, pelo menos de uma forma clara e determinada.

No entanto, sempre que recebia presentes, a minha atenção focava-se para aqueles que permitiam desenvolver a expressão plástica. Com um estojo de canetas de feltro, com tintas ou plasticina eu ficava satisfeito. Recordo-me de adorar ir a casa de um amigo de infância, em parte porque o pai era pintor e eu, sempre que podia, dava uma espreitadela, sem comentar, à evolução dos trabalhos do senhor. E fui começando a pintar, até que num Natal fui surpreendido pelo meu pai; ofereceu-me um cavalete de verdade, ainda melhor que o do pai do meu amigo. Já passaram uns 40 anos, e aquele continua a ser o meu cavalete preferido.

O meu pai acertou.

 

 

 

 

 

 

 LOVE BOX - RICARDO PASSOS

 

LOVE BOX (1ª PARTE) : CAIXAS COM VIDA - As emoções

 

LOVE BOX (2ª PARTE) : A SAGRAÇÃO DO PROFANO - As relações amorosas

 

LOVE BOX (3ª PARTE) : GUARDADO NO CORAÇÃO - As memórias

 

 

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