FREQUENTLY ASKED QUESTIONS: ANA MONTEIRO

May 10, 2018

 

Flatland, o título desta exposição, encontra significância no romance homónimo do séc XIX, de Edwin A. Abbot, apropriando-se de algumas das suas premissas numa tentativa de as olhar à luz do agora, e, muito particularmente, da profunda crise de identidade que caracteriza o nosso tempo. De alguma forma, a dificuldade de reconhecimento da diferença (do tridimensional num universo que existe apenas a duas dimensões) metamorfoseou-se hoje numa absoluta necessidade de encaixe, de aceitação, de existência perante o Outro como uma extensão dessa alteridade. Tornou-se hoje num repúdio constante da transformação de si próprio em algo que possa ser entendido como diferença. Numa procura aflita da aprovação de uma sociedade de perfis sem rosto, cada vez mais digitalmente construída. Essa repulsa de uma construção da identidade voltada para dentro em prol da encenação de uma identidade que criamos para nos apresentar e ser acolhidos num mundo onde as redes sociais asfixiam todos os aspectos do “eu”, é o que se pretende reflectir com esta série de imagens. São, no entanto, imagens que longe de quererem apresentar-se enquanto frases chavão da contra corrente, se revelam de uma forma pouco explícita, pretendendo ser mais sensação do que palavra. Esta é, assim, uma série de pequenas impressões, manifestadas através da pintura, que pretendem levar-nos, em pequenos sopros, ao confronto com a reflexão da identidade, num tempo em que o “eu” se constrói, cada vez mais, como simulacro.

 

 

Ana Monteiro

 

 

 


FREQUENTLY ASKED QUESTIONS

SOBRE ANA MONTEIRO

 

 

 

O que te inspira?

A reflexão sobre a identidade, o narcisismo e o egocentrismo vistos de uma forma positiva, o desfasamento entre nós e o meio social. O desfasamento entre nós e o entendimento que temos de nós próprios. Esse desfasamento entre o eu e o eu e a busca incessante de auto compreensão. E tudo isto porque o ser humano me fascina.

As nossas múltiplas facetas. A nossa complexidade. A nossa incapacidade atroz de não nos conhecermos sequer a nós próprios. Há qualquer coisa de brutalmente belo nisso. De profundamente irónico. E é essa crueza, essa ironia, que tenho tentado tornar uma constante na minha obra.

 

 

Porquê esta obsessão com a identidade?

Porque é aquilo que de mais pertinente tenho para dizer. Para mostrar. É falar de uma revolta contra o entorpecimento que impingimos a nós próprios. De uma necessidade de priorização do olhar: primeiro para dentro, depois novamente para dentro e só então, para fora. Isso nunca acontece hoje - a maior parte de nós está submerso num sem número de ideais colectivos e numa necessidade de tomar uma posição que deve ser ouvida e aplaudida dentro desses ideais… e tudo isso antes de termos sequer a mínima ideia de quem somos…quanto mais saber qual o lugar que queremos e devemos ocupar.  Frequentemente ocupamos os lugares errados. Damos a cara pelas causas erradas. E isto porque ainda não nos demos sequer tempo de olhar e conhecer a cara que temos.

 

 

Porquê o nu?

Porque, há alguns anos atrás, ainda na faculdade, criei uma série de dez trabalhos sobre o choque da nossa identidade social com a nossa identidade mais secreta e, nessa altura, a forma que encontrei para distinguir essas duas “personagens de mim” foi através da diferença de roupagens: o eu social estaria vestido, o outro nu. E, de alguma forma, creio que essa ideia do nu como metáfora daquela parte da nossa identidade mais voltada para dentro me pareceu uma boa solução. Creio que é por isso que a tenho repetido tanto.
 

 

Como pintas?

Gosto de lugares que abram a porta a uma certa confusão. De um ideal de ninho. De um espaço onde, durante o processo criativo, se acumule o caos. As folhas de rascunhos pelo chão. Os plásticos. Os pinceis que se estragaram por não terem sido limpos.

A tinta no soalho que depois irremediavelmente terei de passar horas a esfregar. O meu processo criativo é, profundamente, … pouco asseado. O meu atelier fica caótico depois de uma semana de pintura intensiva. E sinto que, de alguma forma, isso me faz falta. 

  

 

O que pretendes?

Criar pensamento. Criar ideias… e partilhá-las.

 

 

 

 

 

 

 

 Ver mais:

F L A T L A N D - Exposição Individual de Ana Monteiro - Maio 2018

 

 

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