FREQUENTLY ASKED QUESTIONS: RICARDO PASSOS

November 27, 2017

 

"Dava pelo nome muito estrangeiro de Amor e era preciso chamá-lo sem voz, escreveu um dia Herberto Helder e nós dizemos a todos que todos merecemos amar e ser amados porque o corpo é um objecto de prazer, mas também há quem diga que o Amor é uma ficção de cetim, um fora-de-lei indizível, uma metamorfose dos sentidos, feita de dedos, mãos, línguas, labirintos e limites virados do avesso, que aparece e desaparece sem ser visto, resistindo sempre até que os corpos sejam mesmo reais, feitos de segredos belos e infinitos, é claro que também temos o inevitável coração, essa caixa de Amor com vida que liga o sagrado ao profano, que bate ao ritmo do universo, contração, expansão, contração, expansão, até ao infinito dos tempos até aos limites da vida mas quando já nada o fazia prever acabamos por descobrir que a função dos sentidos é sentir, pelo que digo é proibido banalizar ou profanar o Amor, reconhecendo contudo e por vezes a necessidade de aprender a deixar o Amor partir, pois Deus bem-nos-quer e o Seu silêncio é sempre divino."

 

 

 

Texto inspirado por HH na forma e pelos autores da Love Box no conteúdo.

José Rousseau

 

 

 

FREQUENTLY ASKED QUESTIONS

SOBRE RICARDO PASSOS

 

 

 

Achas que há uma formula especial para viver bem?

Acho que devíamos acreditar e seguir as nossas intuições, tentar ao máximo ter uma boa energia. O difícil fazer agora, o impossível deixar para depois. As vezes não percebemos como...temos ideias fantásticas, simples e ridículas ideias, que não acreditamos ou esquecemos, que seriam o projecto da tua vida.

 

 

 

 

O Ricardo Passos é um contador de histórias?
 

Mais que um contador de histórias, sou um catador de histórias da sociedade, da qual faço parte. Trabalhar plasticamente essas histórias/temáticas, é uma forma de interiorizar a existência de determinadas realidades que me inquietam, mas que por vezes no nosso dia-a-dia não damos importância.
.

 

 

E uma vez terminado esse trabalho, consegues a tranquilidade?

 

Não... de forma alguma. Nunca há a sensação de “dever cumprido”. A insatisfação é uma constante e talvez seja esse aspecto que faz com que vá sempre puxando um pouco mais do fio condutor que leva a novos desafios. É um percurso desgastante e tenho dado por mim, algumas vezes, a tentar encontrar o interruptor para desligar, pois quando entro na fase de conceptualizar uma nova série, pode tornar-se algo quase obsessivo, mas... nunca encontrei o tal interruptor (e ainda bem). Ser artista plástico é uma característica que me corre nas veias.

 

 

 

Poder-se-ía então dizer que é um carma, ser artista?

 

(risos) É quase como que uma missão... o artista plástico tem um papel fundamental na sociedade. Ele é um catalizador de emoções. Há como que uma relação de simbiose entre o artista e o meio, sendo que o meu trabalho é fruto daquilo que vivencio e, espero contribuir um pouco, para alertar consciências para determinadas situações com que me deparo no quotidiano.

 

 

 

Normalmente, no teu trabalho existe sempre uma certa provocação. Porquê?

 

O trabalho do artista reflecte sempre, de uma forma mais ou menos consciente, a sua essência. Na verdade, gosto da provocação, mas não da provocação gratuita. Esta é a minha postura perante a vida. Esta é a minha forma de estar. Interessa-me muito mais assistir a um filme que me perturbe e possa eventualmente acabar mal, não me saindo da cabeça nos dias subsequentes, do que outro, bonitinho e com um final feliz, deixando em mim um enorme vazio.

Nesse sentido, os caminhos que encontro vão irremediavelmente ter à tal provocação que, no meu entender, não o são, deixando assim para trás, o tal, fazer bonito e decorativo, só porque sim, pois no meu entender, tem de se ir para além do simples objecto decorativo, tem de haver conteúdo, tem de passar uma mensagem. E neste caso, agora, a mensagem dos amores tidos como sagrados/profanos.

 

 

 

 

Que tipo de música escutavas enquanto pintavas esta série de trabalhos?

 

Quase sempre Rodrigo Leão. É uma sonoridade que me transmitia paz de espírito mas que ao mesmo tempo me deixava com um nó na garganta, uma inquietude que não sei explicar. Escutei também, por vezes, Bernardo Sassetti e o meu amigo e Maestro Hélder Bruno Martins. Para além disso, o som do silêncio, que me levou a mergulhar e a interiorizar toda a problemática em torno do amar, do ser amado e do deixar amar, ou de forma mais antagónica, do deixar de se ser amado.

 

 

 

 
SABER MAIS:


LOVE BOX - A SAGRAÇÃO DO PROFANO: 2ª PARTE DO PROJECTO DE RICARDO PASSOS 

LOVE BOX - CAIXAS COM VIDA : 1ª PARTE DO PROJECTO DE RICARDO PASSOS

 

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