espacoexibicionistaespacoexibicionistahttps://www.espacoexibicionista.com/magazineDIAD - FRASES IDIOMÁTICAS - ESPAÇO EXIBICIONISTA GROUP SHOW 2019]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/07/15/DIAD---ESPA%C3%87O-EXIBICIONISTA-GROUP-SHOW-2019https://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/07/15/DIAD---ESPA%C3%87O-EXIBICIONISTA-GROUP-SHOW-2019Mon, 15 Jul 2019 10:40:00 +0000
Desembarque. Algo de bom acontecerá. O momento que se espera…Existem expressões que permitem enriquecer uma frase, dando-lhe força ou subtileza, fazer sugestões indiretas, enfatizar a intensidade dos sentimentos de alguém, atenuar o impacto de uma declaração austera, com humor e ironia,…Expressões idiomáticas são porções de frases cujo significado ultrapassa o significado literal das suas partes. Significam mais do que a interpretação das palavras que as compõem, implicando uma leitura contextual.Para a exposição de grupo de 2019, a galeria desafiou 19 artistas, portugueses e estrangeiros, para apresentarem uma obra relacionada com o tema central: “expressões idiomáticas”. Frases como “Quem vê caras, não vê corações”, “Rei na Barriga” e “Memória de Elefante” resultam em peças, onde diferentes interpretações, técnicas e suportes dão origem a uma exposição que pretende surpreender.
ART MAGAZINE
SOBRE GROUP SHOW 2019
A exposição deste ano conta com a introdução de novos artistas, entre os quais: a dupla de escultores espanhóis Coderch & Malavia, vencedores do 52º Prémio Rainha Sofia de Pintura e Escultura de Espanha - 2017”, que apresentam pela primeira vez trabalhos em Portugal, os pintores Alexandre Alonso, Duarte Vitória, Hugo Silva, Martinho Dias, Nuno Raminhos e Paul Neberra, e na categoria fotografia/pintura digital a artista Paula Rosa.
Artistas convidados: Alexandre Alonso, Ana Monteiro, Coderch & Malavia, Duarte Vitória, Duma, Filipe Curado, Gabriel Garcia, Hugo Silva, Lara Roseiro, Luís Melo, Martinho Dias, Nuno Raminhos, Paul Neberra, Paula Rosa, Pedro Zamith, Petri Salo, Ricardo Passos, Rita Melo e Valentim Quaresma.
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J DE MONTAIGNE SOLO EXHIBITION - NATURA EST THEATRUM]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/06/04/J-DE-MONTAIGNE-SOLO-EXHIBITION---NATURA-EST-THEATRUMhttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/06/04/J-DE-MONTAIGNE-SOLO-EXHIBITION---NATURA-EST-THEATRUMTue, 04 Jun 2019 14:28:00 +0000
Jaqueline de Montaigne é uma artista portuguesa reconhecida pelas obras espalhada por vários locais de Lisboa, murais emblemáticos que são parte da moldura de Lisboa, diariamente fotografados por turistas e curiosos. Porém, Jaqueline de Montaigne não é apenas uma conceituada muralista, é uma ativista que usa a arte como forma de defender a sua visão do mundo. Agora, com a crescente epidemia de mudanças climáticas induzidas pelo homem, Jacqueline coloca a natureza no centro do palco da exposição, ao chamar a atenção para uma diversidade espécies no seu esplendor teatral natural. Nesta exposição a sua marca azul torna-se secundária às cores fortes usadas para mapear o aquecimento global.
ART MAGAZINE
SOBRE J DE MONTAIGNE
Fala-nos um pouco deste tema: Natura Est Theatrum.
Sempre desenhei animais e natureza, especialmente pássaros. Quando tinha uns 8 anos, a minha mãe deu-me um livro sobre como desenhar cavalos, e desde então venho desenhando animais. Agora, com os problemas do aquecimento global e a taxa alarmante de extinção de espécies, apresento-os cada vez mais nos meus trabalhos, colocando-os no centro de um palco em sua plena magnitude e esplendor teatral.
Nas tuas últimas séries de trabalhos predominava a cor azul. Nesta exposição alteras um pouco o registo, porquê?
Fico entediada facilmente, e precisava de uma mudança… apesar de ainda existir bastante azul nestes trabalhos. Para além de focar-me nas cores da espécies que quis representar, queria fazer algo mais, e assim apliquei em alguns trabalhos os grupos de cores usadas no mapeamento do o aquecimento global
Jacqueline de Montaigne é nome artístico?
Perguntam-me isso com frequência, mas não, é o meu nome de nascimento.
Como é o teu processo de trabalho?
Fotografo tudo e todos, até mesmo os estranhos com que me cruzo na rua. Imprimo as fotos e coloco-as nas paredes do meu estúdio para me inspirar. Também tenho uma grande coleção de livros de referência de imagens que venho colecionando desde muito jovem, os quais me ensinavam a desenhar e a pintar… ainda uso muitos deles no meu trabalho.
Das espécies representadas, qual é a que destacas?
O Grou-Coroado-Vermelho (Grus Japonensis) é novo no meu trabalho, mas fará parte de vários projetos este ano. É um pássaro tão elegante e mágico, que parece estar a dançar e a planar. Eles foram colocados na lista de espécies ameaçadas de extinção em 1970 e existem apenas cerca de 2500 no planeta, muito poucos em ambiente selvagem. É uma ave importante na cultura Japonesa e Coreana, sempre presente na arte tradicional desses países.
No meu trabalho figurativo, muitas vezes incorporo os pássaros como tatuagens, uma gravação permanente da sua existência, porque um dia poderemos só ficar com imagens…
Ver mais:
NATURA EST THEATRUM - EXPOSIÇAÕ DE J DE MONTAIGNE - ARTWORKS
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360 FILIPE CURADO ESCULTURA - EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL 2019]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/05/14/360-FILIPE-CURADO-ESCULTURA---EXPOSI%C3%87%C3%83O-INDIVIDUAL-2019https://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/05/14/360-FILIPE-CURADO-ESCULTURA---EXPOSI%C3%87%C3%83O-INDIVIDUAL-2019Tue, 14 May 2019 10:28:00 +0000
360 é uma metáfora sobre a trajetória universal do Homem. Composta por nove esculturas dispostas em circunferência, refletindo os diferentes ciclos da natureza: evolução, degradação ou destruição e renovação ou renascimento. Uma referência aos múltiplos ciclos que todas as pessoas vivem e que nos colocam em vários patamares experienciais. Permitindo-nos uma busca de identidade, resgate de sentido de vida e plenitude de condição humana.
ART MAGAZINE
SOBRE FILIPE CURADO
360? Fala um pouco desta exposição.
360 é uma metáfora sobre á trajetória universal do homem…Esta exposição é composta por nove esculturas, dispostas em circunferência, numa referência aos diferentes ciclos da natureza: evolução, degradação ou destruição e renovação ou renascimento.
A conclusão do ciclo é uma etapa atingida, mas nada nos impede de passar para um outro nível, permitindo assim uma busca de identidade e um resgate de sentido de vida.
E este ciclo é um reflexo do teu percurso como escultor?
Também é um reflexo do meu percurso como escultor, mas não só… Talvez até tenha um carácter mais pessoal. Uma referência aos vários ciclos que toda a gente, de forma mais ou menos consciente, acaba por viver ao longo da vida e que nos coloca noutros patamares de vivência e experiência.
Esta exposição difere muito do que habitualmente tens apresentado.
Na verdade, eu não diria que é uma ruptura, mas antes uma evolução natural. Penso que estas escultura até podem ajudar a compreender melhor as minhas obras anteriores.
Como é o teu processo de trabalho?
Ao inicio, é intuitivo, surge a primeira ideia do que quero fazer. Depois surgem algumas desconstruções da ideia, por vezes até conflitos entres varias ideias levando a obra para uma evolução e construção mental. Após a idealização do que pretendo fazer, o processo é mais físico e de muito trabalho técnico até a materialização da escultura.
A escultura é um gesto individual?
Penso que sim… individual, introspectivo e muito pessoal.
Ver mais:
EXPOSIÇÃO 360 - FILIPE CURADO - MAIO 2019
EXPOSIÇÃO MATRIZ - FILIPE CURADO - FEVEREIRO 2017
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LUÍS MELO ARTE - EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL 2019]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/04/11/LU%C3%8DS-MELO-ARTE---EXPOSI%C3%87%C3%83O-INDIVIDUAL-2019https://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/04/11/LU%C3%8DS-MELO-ARTE---EXPOSI%C3%87%C3%83O-INDIVIDUAL-2019Thu, 11 Apr 2019 17:59:00 +0000
Nesta exposição estão patentes 3 núcleos distintos de trabalho. Acrílico sobre tela, aguarela sobre papel e caixas com técnicas mistas. Todos eles têm o mesmo ponto de união. Quanto ao caso da aguarela e das chamadas caixas, são o resultado de uma experimentação e necessidade de novas linguagens no percurso do artista. Se em 2018, ambas já estavam presentes, agora, surgem de forma bastante mais visível e num registo mais intimista do que plástico. A exposição “Silêncio” revela um conjunto trabalhos, que segundo o autor, devem falar por si só e sem necessidade de “legendas”.
Luís Melo, artista plástico português, expõem regularmente desde 1996 após terminar a sua formação na Faculdade de Belas Artes do Porto. Encontra-se representado em diversas colecções publicas e particulares, tendo recebido diversos prémios ao longo do seu percurso artístico dos quais se destacam: Menção Honrosa no Concurso Nacional dos Jovens nas Artes Plásticas, ANJE, Porto.(1995); Prémio Revelação- Bienal de Cerveira (2001) e 1º Prémio de Pintura de Cangas de Morrazo, Espanha (2011).
ART MAGAZINE
SOBRE LUÍS MELO
Silêncio?
O nome demorou um pouco em surgir ao inico, e no meio de tantos nomes possíveis para este trabalho, instalou-se de forma natural. Considero que o trabalho de um artista plástico deve falar por si só, sem necessidade de “legendas”. Mais ainda, uma outra razão para a escolha deste nome será a natureza intimista das aguarelas que agora apresento. Haverá quem as considere agressivas ou deprimentes até mas na minha cabeça não, e nem nunca o foram. A leitura que lhes posso fazer é de algo estático- UM MOMENTO!
Homens com cornos?
Não seria necessário referir que a primeira leitura de muitas pessoas foi que estes cornos seriam a traição ou a dor mas isso é uma construção bastante vulgar ou comum. O nosso instinto ou vivência leva automaticamente para O LADO NEGATIVO. Farei deles uma leitura mais simplista- são árvores, são homens que florescem! Talvez esta explicação traga um raio de sol na leitura que fará deles!
Mudança de técnica?
Optei por trabalhar em aguarela e papel de forma mais intensa, mas não foi algo muito pensado. Surgiu lentamente como um exercício técnico e depois expressivo. Foi algo que surgiu de forma natural. Não tenho nenhuma preferência pela aguarela e também não a trabalho da forma considerada como clássica mas fui descobrindo alguns novos encantos nela e a exposição foi sendo construída aos poucos. Retomo também, de forma natural, aos rostos e aos olhares em acrílico por considerar que não conclui este tema ainda e que ainda haverá muito a descobrir.
Caixas?
memorabilia |memòràbílià|
(palavra latina, plural neutro substantivado de memorabilis, -e, memorável)
substantivo feminino plural
1. Conjunto de coisas ou acontecimentos memoráveis.
2. Conjunto de objectos.
As caixas como um recurso sempre presente no meu trabalho são construções de algo, de uma ideia ou de um momento. Construídas a partir de um objecto e do que este representa normalmente para o ser humano. Ao contrário das apresentadas na ultima exposição nesta galeria, estas serão menos gráficas e talvez um pouco menos plásticas, São aquilo que eu poderia chamar intimistas. Muito pessoais!
Ver mais:
EXPOSIÇÃO SILÊNCIO POR LUÍS MELO- ABRIL 2019
EXPOSIÇÃO PRETÉRITO (IN)PERFEITO POR LUÍS MELO - JANEIRO 2018
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ALEXANDRE ALONSO ARTE - EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL 2019]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/03/18/EXPOSI%C3%87%C3%83O-DE-ALEXANDRE-ALONSO-THE-INADQUEACY-OF-THE-UNFINISHED2019https://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/03/18/EXPOSI%C3%87%C3%83O-DE-ALEXANDRE-ALONSO-THE-INADQUEACY-OF-THE-UNFINISHED2019Mon, 18 Mar 2019 15:45:00 +0000
Alexandre Alonso apresenta nesta exposição a sua interpretação de obras “chave”, que lhe ofereceram a directriz na forma como constrói o seu trabalho. Em ”The Inadequacy of The Unfinished” famosas pinturas de Rembrandt, Klimt ou Van Gogh são desconstruídas pelo artista na necessidade de criar uma intensidade e uma linha ténue de algo que pode desaparecer a qualquer segundo, ou reconstruir-se no próximo. Com mudanças óbvias de escala, de valores cromáticos, texturas, definição e aproximação, Alexandre cria um estranho museu onde o fruidor se pode reencontrar com todos eles, olhos nos olhos.
ART MAGAZINE
SOBRE ALEXANDRE ALONSO
Quem é o Alexandre Alonso?
Sou um pintor figurativo autodidacta com formação em arquitectura, profissão que exerci durante 14 anos e que abandonei para me dedicar em exclusivo à pintura. O meu trabalho é construído em redor do olhar e da desconstrução do seu entorno em formas com um grau de abstracção assumido, que serve de suporte à enfatização do carácter do sujeito.
“The Inadequacy of The Unfinished”, foi difícil dar por terminada uma obra?
Muito. A exposição está inteiramente construída ao redor da premissa de apenas o suficiente ter sido reconstruído para que a obra possa ser reconhecida com a intensidade original, mas com uma presença totalmente diferente. Trata-se de identificar intensidade e dar-lhe apenas o corpo suficiente para que a mesma comunique de forma inequívoca com o sujeito.
Como decorreu todo o processo de preparação da exposição?
Quando assumi que gostaria de reconstruir obras chave dos maiores mestres da história da arte - que serviram de base a inúmeros trabalhos meus no decorrer destes últimos anos – iniciou-se um processo investigativo muito complexo. Numa primeira fase foi feita uma selecção das obras a serem utilizadas (algo que demorou bastante tempo). Após serem encontrados os 20 trabalhos, veio uma segunda fase muito intricada: a substituição de cada um dos olhos dos sujeitos das obras originais, por outros novos, representados com uma qualidade fotorrealista assumida. Alguns de pessoas amigas, outros de modelos que, de forma muito generosa e paciente, aguentaram ser fotografadas em poses estranhas até eu conseguir o tipo de olhar que queria traduzir em determinada obra, e num dos casos, o auto-retrato do Francis Bacon, a introdução e reconstrução total do olhar original do sujeito que esta a ser retratado (através de material fotográfico de arquivo). Numa terceira fase, a reconstrução de cada uma das obras, variando escalas, tons, texturas e enquadramentos, recriando uma nova relação com o observador.
O que te levou a desistir da arquitetura e te dedicares à pintura? Algum arrependimento?
Apesar de ter um enorme respeito e fascínio por arquitectura, sempre senti um vazio muito grande enquanto arquitecto, talvez por ser uma profissão multidisciplinar com uma componente técnica altíssima, e eu ser apenas aquele que gostava que fossem 3 riscos num bloco enquanto toda a gente vive feliz para sempre, o que é absolutamente impossível. A pintura, apesar de ter uma componente técnica também, é um processo absolutamente criativo e cuja responsabilidade esta normalmente assente num único sujeito, do qual depende o sucesso ou o absoluto fracasso da obra. Gosto dessa responsabilidade e da fluidez que isso atribui à construção de algo.
Nenhum arrependimento. Mesmo desconhecendo em que ponto o facto de ter sido arquitecto durante tanto tempo me afectou na forma como pinto, estou absolutamente seguro que se não o tivesse sido, a minha forma de pintar seria muito diferente. Apenas sinto saudades de alguns colegas de trabalho que com os anos se transformaram em grandes amigos. Dessa cumplicidade sinto falta.
Ver mais:
ALEXANDRE ALONSO_"INADEQUACY OF THE UNFINISHED
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EXPOSIÇÃO DE PINTURA DE HUGO SILVA "UNSPOKEN" 2019]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/02/19/EXPOSI%C3%87%C3%83O-DE-PINTURA-DE-HUGO-SILVA-UNSPOKEN-2019https://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/02/19/EXPOSI%C3%87%C3%83O-DE-PINTURA-DE-HUGO-SILVA-UNSPOKEN-2019Tue, 19 Feb 2019 14:19:00 +0000
O silêncio costuma carregar o peso do indizível. Atinge-nos com estrondo e grita-nos, frequentemente, segredos com origem no mais profundo do humano. O que é extraordinário é que aquilo a que chamamos segredos podem muito bem ser coisas do quotidiano, embora reflexos da expressão de uma memória profunda, primordial, que nos constitui e que faz do humano, humano. A “ciência” do silêncio, como poderíamos chamar à investigação em torno do que não é dito, daquilo que fica nas expressões, nos sinais que constantemente emitimos, e que através deles expressam mundos inteiros, desvela-nos este universo de que bastas vezes não nos damos conta: existe uma linguagem, de uma complexidade extrema em que a mente e o corpo parecem confiar mais do que na própria língua falada. Uma linguagem que parece superar as palavras e parece traçar velhas filosofias, tão antigas que antecedem o verbo. Uma poética do início dos tempos. "Unspoken" é o olhar que se deposita sobre a pessoa amada, é o gesto que emociona um desconhecido e que nos faz interrogar acerca dos mistérios que aquele rosto encerra. A poesia que brota de um corpo cuja expressão de beleza transcende o que a sociedade nos impõe. Damo-nos conta, então, no confronto com estas pinturas, que Hugo Silva coloca a sua técnica ao serviço de uma poética da linguagem do gesto. Parece existir uma investigação em busca do significado último da expressão daquele rosto fechado em si mesmo, daquelas mãos cujos dedos se arqueiam ligeiramente como se pretendessem segurar a vida que lhes parece escapar.
Carlos Ribeiro, 2019
ART MAGAZINE
SOBRE HUGO SILVA
Nesta exposição “Unspoken”, existe uma forte abordagem às expressões humanas. Uma linguagem gestual repleta de emoções. Como descreves este corpo de trabalhos?
Parece-me que a maior consistência no meu trabalho é a ideia de humanidade. Encontrar uma forma de representar a consciência humana através da figura, não somente a aparência externa, mas os seus estados emocionais. Este corpo de trabalho está fortemente ligado à experiência e à memória. A comunicação gestual é a forma mais primitiva de falar a verdade, sem se dizer uma palavra.
Há cerca de 4 anos decidiste ir residir para a Polónia. Porquê esta mudança?
Esta mudança foi feita através de uma paixão por uma menina de cabelos encaracolados. Uma paixão que virou amor e um amor que, pelo que parece, veio para ficar. Desde então, fundamos a HuWe onde leccionamos workshops de desenho e pintura para crianças e adultos.
Como é o teu processo criativo?
É uma trajectória que parte de um estado de insatisfação… Primeiro instala-se a angústia e depois uma inquietação e vontade de produzir. As ideias que eu escolho abordar, são aquelas que me perseguem e não me dão tréguas. É um acumular de ideias e desdobramentos de trabalhos anteriores. Eu fotografo os meus modelos em estúdio, o que me permite um maior controlo na manipulação da luz e posiciona-los assim como desejo. Uso, então, a imagem fotográfica como ponto de partida. A partir daqui surgem questões pictóricas e é quando o desafio começa.
Por que pintas?
Pinto porque sim, da mesma forma que respiro, é natural. A pintura é uma manifestação do pensamento. Não a consigo dissociar da minha vida desde a minha adolescência. É uma forma que tenho de comunicar com o mundo, no qual vivo e interajo, e de me conhecer a mim próprio. Não sei se o que pinto dá alegria a alguém mas eu alegro-me muito quando pinto. Talvez isso baste para justificar porque o faço.
Que cores usas na tua paleta para pintar os teus retratos?
A minha paleta varia levemente. Gosto de explorar várias combinações e o sistema de cores que escolho para pintar os meus retratos, depende dos tons de pele, da relação com o fundo e da cor que é reflectida nas sombras que, normalmente, são projectadas pelas cores dos objectos circundantes ou próximos ao modelo. A teoria da cor é um assunto complexo no qual eu tenho muito interesse.
Tenho investido ao longo destes anos, cada vez mais em tintas de qualidade superior feitas através de processos artesanais, como Williamsburg Handmade Oil paints e Michael Harding, e por vezes também as faço. Como sou apaixonado por cor, sempre que posso compro mais tubos, não sei onde parar… Mas não os uso todos de uma só vez. Sendo que pinto por camadas, num estado inicial da pintura, gosto de limitar a paleta, o que me dá maior liberdade e aproximação à ideia geral do que quero pintar. Desta forma, faço mais com menos. Tenho sempre amarelos, vermelhos e azuis à minha disposição, que me permite produzir verdes, laranjas, violetas e castanhos… À medida que a pintura se desenvolve e me aproximo do específico, também uso algumas destas cores, seja pela sua transparência e conveniência na paleta.
Quando dás por terminada uma obra?
Uma pintura nunca se completa. Há uma diferença entre o que se concretiza e o que está sempre por ser realizado. A pintura terminada pertence a um processo inacabado.
Cinco pintores que te influenciam…
Poderia dar mais do que cinco, que não me influenciam de uma forma directa mas que me intrigam e me fazem pensar: Michaël Borremans, Justin Mortimer, Victor Man, Mircea Suciu, Alexander Tinei, Harland Miller. Foram seis.
Ouves música enquanto trabalhas ou preferes o silêncio? O que ouves?
Gosto muito do silêncio e é ele que me abre espaço para a reflexão. Contudo, grande parte do tempo tenho os meus headphones Audio-Technica ATH-M50x colados ao ouvido. Tenho um gosto muito eclético, que varia desde post-punk, synth-pop, new wave, dark wave, electro, rock, até musica clássica. Gosto de música alternativa e estou sempre a pesquisar. Principalmente música atmosférica, sombria e melancólica. Entre muitos que me acompanharam e ouvi extensivamente nestes últimos meses, destaco Molly Nilsson, Lebanon Hanover, John Maus, Gold Zebra, Public Memory, The Sound, Anne Clark, Beach House, Princess Chelsea, Modest Mouse, Amen Dunes, Radiohead, Low, Cigarettes after Sex, The Modern Lovers, Fujiya & Miyagi, Khruangbin…
Como te vês daqui a dez anos?
Eu só quero poder comprar tintas, continuar a pintar e reflectir. O resto, virá por acréscimo. Esses são os meus objectivos.
Ver mais:
UNSPOKEN | EXPOSIÇÃO DE PINTURA DE HUGO SILVA
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DEPARTURE FOR THE ISLAND OF CYTHERA | PETRI SALO 2019]]>EE Newshttps://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/01/09/DEPARTURE-FOR-THE-ISLAND-OF-CYTHERA-EXPOSI%C3%87%C3%83O-PINTURA-DE-PETRI-SALO-2019https://www.espacoexibicionista.com/single-post/2019/01/09/DEPARTURE-FOR-THE-ISLAND-OF-CYTHERA-EXPOSI%C3%87%C3%83O-PINTURA-DE-PETRI-SALO-2019Wed, 09 Jan 2019 17:28:00 +0000
Cythera é sobre a busca de algo melhor do que aquilo que temos presente agora.
É uma crença de que "isto" não é suficiente e que algo precisa de acontecer de maneira a que "isto" seja aceitável.
Talvez mais amor dado ser a ilha de Aphrodite, mais bondade, mais justiça (crença de que a vida deve ser justa). Unidade, ausência de dor, fechando a lacuna de estar separado e só... o bem-estar de todos os tipos. Branco sem preto, côncavo sem convexo, paraíso sem sombras .....mas para quem ??? Para os personagens imaginados? Bem, aqui estão eles, prontos para embarcar. Todos elegantes... e quem sabe o que será descoberto ... ou o que se perdeu.
Petri Salo 2019
ART MAGAZINE
SOBRE PETRI SALO
O que queres transmitir com esta exposição?
Eu gostaria de pensar nisso como um convite para um lugar de incerteza e mistério.
Como decorreu o processo?
Levei três anos para pintar estas pinturas, com a ajuda de modelos e de várias pessoas que apareceram para ajudar. O processo foi cheio de surpresas e alegria.
Como te sentiste ao recriar novamente a estética da pintura barroca?
Fresco, quero dizer… não é nada novo, mas é fresco. Tem sido um tema recorrente desde a minha infância. O odor de alcatrão preto faz de certa forma parte disso também... e a busca por uma ilha mítica... para mim, uma alegoria para a busca de todos os tipos.
Existe algum elemento autobiográfico nos temas das pinturas?
Sim….. Não…… Talvez.......
... E nos personagens... ?
Eu inspiro-me em ter pessoas reais como modelos, todas vestidas com roupas. Eu estou muito grato a todos que me ajudaram ao fazerem parte deste processo criativo.
Nas tuas pinturas existe um principio e um fim?
Tudo o que começa em algum ponto, deve terminar mais cedo ou mais tarde. Isto é: o que vem e vai. O que aparece, deve aparecer em ou dentro de alguma coisa, como uma pintura aparece numa tela. Não pode haver uma pintura sem uma base... ou escrita sem papel ou quadro, base, tela etc… É a realidade imóvel de uma pintura na qual ela aparece. A minha mensagem é um convite para explorar a realidade que não vem e vai, na qual toda experiência surge... e ainda assim é intrinsecamente uma… com o que aparece.