PINTURA DESENHO PALAVRAS | HÉLIO CUNHA

May 25, 2016

 
No próximo dia 15 de Junho, às 18:30, o Espaço Exibicionista recebe a apresentação do livro, Pintura Desenho Palavras de Hélio Cunha. O evento tem particularidade de ter associada uma exposição de desenho deste artista surrealista.

Em Pintura Desenho Palavras da Chiado Editora, Hélio Cunha faz uma retrospectiva de todo o seu percurso artístico e inclui textos, pensamentos e poemas da sua autoria.


 

Prefácio

 

O grande ato é acrescentar mistério ao mistério. Sem mistério morreríamos de sufocação.


O que exijo vai para além da imaginação, é a memória multissecular, a memória cósmica.
A verdade é que não se pode olhar uma das telas deste pintor sem reagir. É tão excessiva a força
das imagens, que por vezes se aniquilam entre si. Esta forma de lucidez leva ao desespero e à
revolta; caminhamos para a tensa linha do horizonte sempre em fuga.


Há que tomar em conta esta obra obsessiva, bem como há que tomar em conta a sua perfeita execução
técnica. A soma destes elementos não pode deixar de ser notada, trazendo-nos à memória
o espaço imenso da floresta surrealista.


Há quem agarre as imagens e faça poesia, e aí há sempre perguntas e há sempre respostas, por
certo mais perguntas que respostas.


Da pintura de Hélio Cunha, que conheço há alguns anos, e se a minha esperança está já desesperada,
não posso deixar de chamar a atenção para este trabalho com sinais de autodidaxia, que
foi coisa que nunca assustou os surrealistas iniciais, que antes pelo contrário, a tomaram como
bandeira. “Trata-se sempre de um recomeço de vida”, como dizia André Breton em 1949.


Por todas estas razões e desrazões, resta-me felicitar Hélio Cunha, na minha posição clara de
não crítico nem ensaísta.


Evidente se torna que é um erro ocultar esta já extensa e significativa obra pictórica cujo conteúdo
mostra na luz e na sombra a profundidade da sua imaginação.


O tempo tem o vai e vem das marés, levando e trazendo, ocultando e redescobrindo obras que
são um comovente documento humano, pedaços de imaginação e de sonho, chave de um futuro
que começa já hoje a comunicar connosco.


Hélio Cunha nunca se considerou escritor nem costuma partilhar aquilo que escreve. No
entanto, pelo que conheço da sua escrita, é evidente que os textos e excertos aqui reproduzidos
têm a mera intenção de revelar um pouco do seu mundo interior e consequentemente fornecem
uma chave para um melhor entendimento da sua pintura.

Constatei que entre o que pinta e o que escreve existe uma surpreendente relação.


Felicito-o pela ousadia.

 

Cruzeiro Seixas
 

 

*Hélio Cunha expôs no Espaço Exibicionista em Maio de 2015 com a exposição Mistério Sobre Mistério

 

 

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