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PINTURA DESENHO PALAVRAS | HÉLIO CUNHA


No próximo dia 15 de Junho, às 18:30, o Espaço Exibicionista recebe a apresentação do livro, Pintura Desenho Palavras de Hélio Cunha. O evento tem particularidade de ter associada uma exposição de desenho deste artista surrealista. Em Pintura Desenho Palavras da Chiado Editora, Hélio Cunha faz uma retrospectiva de todo o seu percurso artístico e inclui textos, pensamentos e poemas da sua autoria.

Prefácio

O grande ato é acrescentar mistério ao mistério. Sem mistério morreríamos de sufocação.

O que exijo vai para além da imaginação, é a memória multissecular, a memória cósmica. A verdade é que não se pode olhar uma das telas deste pintor sem reagir. É tão excessiva a força das imagens, que por vezes se aniquilam entre si. Esta forma de lucidez leva ao desespero e à revolta; caminhamos para a tensa linha do horizonte sempre em fuga.

Há que tomar em conta esta obra obsessiva, bem como há que tomar em conta a sua perfeita execução técnica. A soma destes elementos não pode deixar de ser notada, trazendo-nos à memória o espaço imenso da floresta surrealista.

Há quem agarre as imagens e faça poesia, e aí há sempre perguntas e há sempre respostas, por certo mais perguntas que respostas.

Da pintura de Hélio Cunha, que conheço há alguns anos, e se a minha esperança está já desesperada, não posso deixar de chamar a atenção para este trabalho com sinais de autodidaxia, que foi coisa que nunca assustou os surrealistas iniciais, que antes pelo contrário, a tomaram como bandeira. “Trata-se sempre de um recomeço de vida”, como dizia André Breton em 1949.

Por todas estas razões e desrazões, resta-me felicitar Hélio Cunha, na minha posição clara de não crítico nem ensaísta.

Evidente se torna que é um erro ocultar esta já extensa e significativa obra pictórica cujo conteúdo mostra na luz e na sombra a profundidade da sua imaginação.

O tempo tem o vai e vem das marés, levando e trazendo, ocultando e redescobrindo obras que são um comovente documento humano, pedaços de imaginação e de sonho, chave de um futuro que começa já hoje a comunicar connosco.

Hélio Cunha nunca se considerou escritor nem costuma partilhar aquilo que escreve. No entanto, pelo que conheço da sua escrita, é evidente que os textos e excertos aqui reproduzidos têm a mera intenção de revelar um pouco do seu mundo interior e consequentemente fornecem uma chave para um melhor entendimento da sua pintura.

Constatei que entre o que pinta e o que escreve existe uma surpreendente relação.

Felicito-o pela ousadia.

Cruzeiro Seixas

*Hélio Cunha expôs no Espaço Exibicionista em Maio de 2015 com a exposição Mistério Sobre Mistério

#pinturadesenhopalavras #héliocunha #surrealismo

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